A Nova Fronteira do Trabalho nos EUA: 35% dos Funcionários Marginais
Explorando os Desafios dos Trabalhadores 'Descartáveis' na Era Moderna

Entendendo os Funcionários Marginais
Você já ouviu falar de trabalhadores autônomos, freelancers, e empregados temporários. Mas você conhece os trabalhadores marginais? Este grupo representa cerca de um em cada seis empregos nos Estados Unidos, compondo uma categoria imensa de pessoas que estão estagnadas no mercado de trabalho — e sem muita influência sobre isso.
Segundo o Professor Emérito Paul Osterman do MIT, autor de um novo livro sobre o tema, "marginal workers" são funcionários que não possuem perspectivas de carreira dentro de suas organizações. “Esses trabalhadores são empregados da organização para a qual trabalham, mas a organização não pretende mantê-los, e esses funcionários estão muito menos conectados a qualquer escada de carreira,” explica Osterman.
Esse cenário de trabalhadores marginais é parte de uma tendência maior no mercado de trabalho americano. De acordo com a análise de Osterman, 35% dos trabalhadores americanos são classificados como funcionários marginais, freelancers, contratados ou trabalhadores de plataformas digitais, como serviços de compartilhamento de corridas.

“Esse é um número considerável,” afirma Osterman, que é também Professor Emérito na Escola de Gestão Sloan do MIT. "Isso representa mais de 55 milhões de pessoas na força de trabalho americana." Se considerarmos a evolução desse cenário, seu novo livro, “Trabalhadores Descartáveis: A Transformação do Emprego”, publicado recentemente pela Harvard University Press, faz uma análise deste novo ecossistema de trabalho.
Um Novo Olhar sobre o Mercado de Trabalho
Osterman realiza uma crítica profunda da paisagem do emprego onde os trabalhadores marginais estão inseridos, refletindo sobre como as empresas buscam controlar os custos de mão de obra, deixando muitos trabalhadores em posições precárias. “Eu queria apresentar uma maneira unificada de pensar sobre essas tendências,” acrescenta.
No decorrer de sua pesquisa, Osterman realizou uma pesquisa original com mais de 6.000 trabalhadores, que ajudou a elucidar a noção de trabalhadores marginais. Este grupo inclui uma variedade de profissões, desde advogados em escritórios de advocacia até professores adjuntos, passando por muitos tipos de funcionários em meio período com escassas oportunidades de progresso.

Descobriu-se que cerca de 17% dos funcionários nos Estados Unidos são trabalhadores marginais. Aproximadamente 12% são trabalhadores contratados, frequentemente empregados por agências de empregos, enquanto cerca de 5% são freelancers organizacionais que trabalham para empresas sem serem parte do quadro permanente. Dentro dessas categorias, há os trabalhadores de plataformas digitais, que representam pouco mais de 1% da força de trabalho.
As Implicações Futuras da Tecnologia
O livro de Osterman discute como a crescente dependência de freelancers, contratados e trabalhadores marginais pode estar ligada a uma filosofia de maximização de lucros das empresas. “A discussão está centrada nos custos dos funcionários, e as empresas optam por diversificar esse cenário, criando posições menos comprometidas e mais econômicas, resultando em menos funcionários com perspectivas de promoção e estabilidade,” observa.
Um fator que pode potencialmente agravar essa situação é o advento da inteligência artificial. “Penso que essa tendência será exacerbada pela IA, pois ela introduz muita incerteza sobre as necessidades de pessoal das empresas. Se as empresas estão incertas, elas vão querer trabalhadores descartáveis,” ressalta Osterman.
Caminhos para Melhorar as Condições de Trabalho
Com o panorama do trabalho se tornando cada vez mais precário, a questão que se coloca é: o que pode ser feito para reverter essa tendência? Uma das respostas pode ser proteções trabalhistas mais abrangentes derivadas de negociações sindicais. Contudo, apenas 6% dos funcionários dos EUA estão sindicalizados hoje, então essa abordagem tem suas limitações.
Entretanto, Osterman também enfatiza que organizações não sindicais podem melhorar a situação dos trabalhadores, como grupos de defesa que lutaram pelo aumento do salário mínimo em diversos lugares. Às vezes, a pressão dos consumidores pode levar empresas, mesmo multinacionais, a melhorar as condições de trabalho.
Assim, enquanto o futuro do trabalho continua se moldando, a discussão sobre a segurança e dignidade dos trabalhadores nunca foi tão crucial. Para mais informações sobre esse tema relevante, confira o livro “Trabalhadores Descartáveis: A Transformação do Emprego”.